Ansiedade
A ansiedade fala pelo corpo antes de falar pela mente?
Aperto no peito, tensão muscular, alterações no sono, desconforto no estômago. A ansiedade também pode se manifestar no corpo, e reconhecer esses sinais pode ajudar a compreender melhor o que está acontecendo.
Por Adriana Ogawa, CRP 18/915 · · 5 min de leitura
A ansiedade faz parte das respostas naturais do organismo diante de situações percebidas como ameaçadoras, incertas ou desafiadoras. Nessas situações, diferentes sistemas do corpo são mobilizados: a frequência cardíaca pode aumentar, a respiração pode se modificar e os músculos podem ficar mais tensionados.
Essa resposta tem uma função adaptativa: preparar o organismo para lidar com aquilo que percebe como ameaça.
O problema não está em sentir ansiedade. Ela pode se tornar fonte de sofrimento quando é frequente, intensa ou persistente e começa a interferir no sono, nas relações, no trabalho, nas escolhas ou na qualidade de vida.
Além dos pensamentos e preocupações, o corpo também pode dar sinais de que algo merece atenção.
Como a ansiedade pode aparecer no corpo?
As manifestações variam de pessoa para pessoa, mas algumas podem incluir:
- Peito e respiração: palpitações, sensação de aperto, respiração acelerada ou sensação de falta de ar.
- Musculatura: tensão, especialmente em regiões como mandíbula, pescoço e ombros.
- Sistema gastrointestinal: náusea, desconforto abdominal e alterações do apetite ou do funcionamento intestinal.
- Sono: dificuldade para adormecer, despertares frequentes ou sensação de sono pouco reparador.
- Cabeça: dores de cabeça e sensação de tensão.
- Corpo de maneira geral: inquietação, tremores, sudorese, cansaço ou sensação de estar constantemente em alerta.
Esses sintomas não são exclusivos da ansiedade e também podem estar relacionados a outras condições de saúde. Quando são novos, intensos, persistentes ou preocupantes, é importante buscar avaliação profissional.
Por que reconhecer esses sinais é importante?
Nem sempre percebemos imediatamente que estamos ansiosos. Às vezes, o corpo chama a atenção antes mesmo de conseguirmos nomear o que estamos sentindo.
Reconhecer como a ansiedade se manifesta pode ajudar a pessoa a identificar situações, pensamentos, emoções e relações associados ao aumento do estado de alerta e a buscar formas mais adequadas de lidar com essas experiências.
O objetivo não é vigiar cada sensação corporal nem eliminar completamente a ansiedade, mas ampliar a percepção sobre o que acontece consigo e compreender quando esse estado começa a ocupar espaço demais na vida.
E onde entra a psicoterapia?
Na psicoterapia, não olhamos apenas para o sintoma isoladamente.
É possível compreender quando a ansiedade aparece, em quais contextos ela se intensifica, como a pessoa responde a ela e que experiências, relações e padrões podem estar envolvidos na forma como esse sofrimento é vivido.
Também podem ser desenvolvidos recursos para reconhecer e lidar com as manifestações emocionais e corporais da ansiedade.
Em uma perspectiva sistêmica, esse olhar se amplia: além da experiência individual, consideramos a história de vida, os vínculos, as relações e os contextos nos quais a pessoa está inserida.
A proposta não é simplesmente “fazer a ansiedade desaparecer”, mas compreender sua experiência e construir maneiras mais saudáveis de se relacionar com aquilo que sente.
Quando procurar ajuda?
Quando a ansiedade se torna frequente, intensa ou começa a interferir no cotidiano, nas relações, no sono, no trabalho ou nas escolhas, pode ser importante procurar avaliação profissional.
Você não precisa esperar chegar ao limite para começar a olhar para o que está acontecendo.
Sobre a autora
Adriana Amélia Trindade dos Santos Ogawa
Psicóloga | CRP 18/915
Especialista em Terapia Sistêmica Individual, de Casal e Família, com mais de 20 anos de atuação clínica. Atendimento a adolescentes, adultos, casais e famílias, presencialmente em Rondonópolis/MT e on-line no Brasil e no exterior.
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